A terceira grande narrativa é a de Mūsā, que acompanha al-Khiḍr. Essa é uma das partes mais profundas da sura. Mūsā é profeta, recebe revelação e tem posição elevadíssima. Mesmo assim, Allah o coloca diante de alguém a quem foi concedido um tipo específico de conhecimento vindo de Allah. Os três episódios parecem, à primeira vista, injustos ou absurdos. O barco danificado, o menino e o muro reconstruído sem pagamento. Depois, al-Khiḍr revela que havia uma sabedoria oculta em cada ação.
O ponto não é permitir que qualquer pessoa justifique atos estranhos dizendo “há uma sabedoria escondida”. Pelo contrário, os sábios explicam que as ações de al-Khiḍr pertencem a uma situação excepcional, baseada em conhecimento concedido por Allah, não em julgamento comum humano.
O ensinamento é que nem tudo que parece perda é castigo, nem tudo que parece benefício é misericórdia imediata. A visão humana é parcial. A sabedoria de Allah é completa. Essa história ensina três adab essenciais a humildade diante do conhecimento, a paciência antes de julgar e a confiança em Allah quando o sentido dos acontecimentos ainda não aparece.
