A importância do conhecimento no Islã
بِسْمِ ٱللَّهِ ٱلرَّحْمَـٰنِ ٱلرَّحِيمِ
A primeira palavra revelada ao Profeta Muhammad ﷺ não foi uma ordem de combate, nem uma lei, nem mesmo uma exortação à oração. Foi uma ordem de leitura: Iqra’ Lê. Com esse único imperativo, o Islã anunciou, desde sua origem, o lugar central que o conhecimento ocupa na vida do muçulmano.
“Lê em nome do teu Senhor, que criou.” Surata al-‘Alaq (96:1) Primeiro verso revelado
Não foi por acaso que essa foi a primeira palavra. No Islã, o conhecimento não é apenas uma virtude entre outras é a condição para todas as demais virtudes. Não há adoração sem conhecimento do que se adora. Não há ética sem compreensão do que é certo. Não há caminho para Allah sem que se saiba qual é esse caminho.
O ‘Ilm como obrigação
Os estudiosos da tradição islâmica estabelecem uma distinção fundamental. Existe o conhecimento que é obrigatório individualmente, para cada muçulmano e o conhecimento que é obrigação coletiva, que se satisfaz quando parte da comunidade o domina. O primeiro abrange o conhecimento dos fundamentos da fé, dos pilares do Islã e das regras práticas que governam a vida cotidiana. O segundo abrange as ciências que a comunidade precisa para florescer: medicina, jurisprudência aprofundada, ciências naturais.
Essa arquitetura não é acidental. Ela revela uma concepção do Islã como religião que não separa o sagrado do intelectual. Conhecer o mundo é uma forma de conhecer o Criador, e cultivar a mente é uma forma de adoração.
Hadith do Profeta ﷺ
“Buscar o conhecimento é uma obrigação para todo muçulmano.” Ibn Majah, Sunan Kitab al-Muqaddimah, nº 224
O hadiht não diz “para os estudiosos” nem “para quem tem capacidade”. Diz todo muçulmano. Isso significa que a busca pelo conhecimento não é privilégio de uma elite religiosa é responsabilidade de cada pessoa que professa a fé, em cada etapa da vida, dentro das possibilidades que lhe foram dadas.
O conhecimento que eleva
“Allah eleva em graus aqueles dentre vós que creram e aqueles a quem foi dado o conhecimento.” Surata al-Mujadilah (58:11)
A elevação de que fala este verso não é apenas espiritual, é também uma elevação de perspectiva, de responsabilidade, de capacidade de servir à comunidade.
O muçulmano que busca o conhecimento não o faz apenas para si mesmo: ele se torna uma fonte de orientação para os que estão ao seu redor. Os estudiosos clássicos entendiam isso profundamente o conhecimento sem transmissão é como uma fonte sem caminho para o vale.
Conhecimento e ação: os dois lados da mesma moeda
Imam al-Ghazali, em seu Ihya ‘Ulum al-Din, alertava que o conhecimento sem ação é uma prova contra quem o possui, não a seu favor.
O objetivo do conhecimento islâmico não é a erudição pela erudição. O objetivo é a transformação do ser. Saber o que é certo e não agir de acordo é uma forma de ingratidão ao dom que o conhecimento representa.
Por isso, nas tradições de ensino islâmico, o estudo sempre andou junto com a prática espiritual, a purificação interior e o serviço à comunidade. A madrassa não era apenas um lugar de livros era uma escola de vida, onde o conhecimento intelectual e o crescimento espiritual se desenvolviam juntos, inseparáveis.
Na Madrassa al Jannah, seguimos essa tradição. Acreditamos que aprender é um ato de adoração e que cada passo dado em direção ao conhecimento é um passo dado em direção a Allah.
Que Allah nos conceda um conhecimento que beneficia, nos preserve do conhecimento que não beneficia, e nos guie em tudo aquilo que aprendemos.
Madrassa al Jannah · Centro Formação Islâmica
